Compulsão alimentar: quando a comida foge ao controle
- Raquel Guerra

- 20 de nov.
- 2 min de leitura
Você já se pegou comendo uma quantidade enorme de comida sem fome? E ficou muito desgostoso com isso?
Apresentar repetidos episódios de compulsão alimentar vai além da “falta de força de vontade”. Trata-se de um transtorno sério. É diferente da obesidade. Mas, compulsão alimentar e obesidade podem aparecer juntos.. O tratamento psicológico vai olhara para os os comportamentos alimentares, para as alterações de humor e para os pensamentos distorcidos em relação ao padrão alimentar, entre outras coisas.
Como psicóloga com mais de 30 anos de experiência clínica, posso afirmar: a compulsão alimentar tem tratamento — e a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais eficazes para quem deseja reconstruir uma relação saudável com a comida e consigo mesmo.
O que é compulsão alimentar?

Compulsão alimentar é caracterizada por episódios em que a pessoa come em excesso, ou com muita rapidez ou come até se sentir desconfortável ou come sem fome ou come escondido, portanto, sem controle, e, tudo isso, com muito sofrimento.
Pode começar na adolescência ou no início da fase adulta.E tem prejuízos na qualidade de vida e na saúde mental.
Não se trata de gula ou preguiça, como muitos ainda acreditam.
Após um episódio, é comum a pessoa prometer que “nunca mais vai fazer isso” — mas o ciclo se repete, gerando sofrimento intenso.
Por que a TCC é indicada para tratar a compulsão alimentar?
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é amplamente estudada e recomendada em casos de transtornos alimentares, especialmente a compulsão.
Na TCC, o processo terapêutico ajuda o paciente a:
Identificar os gatilhos emocionais que antecedem os episódios de compulsão
Compreender o ciclo entre pensamento, emoção e comportamento alimentar
Reduzir a autocrítica
Substituir padrões alimentares ruins por hábitos sustentáveis
Reconstruir a autoestima de forma realista e gentil
O foco é o sofrimento. A abordagem trabalha com metas reais, respeitando o tempo de cada pessoa.
E quando a dor vem de muito antes?
Casos mais resistentes costumam ter raízes profundas. Muitas vezes, o comportamento compulsivo surge como necessidade de conforto, calma e conexão.
Nesses casos, utilizo a Terapia do Esquema, abordagem que investiga as crenças formadas precocemente que carregam grande carga emocional.
Frases como “eu não sou boa o bastante” ou “ninguém me vê de verdade” muitas vezes estão por trás da compulsão — e precisam ser acolhidas no processo terapêutico.
Você não está sozinho(a)
A compulsão alimentar é mais comum do que se imagina.
É possível superar. Com escuta, técnica e acolhimento, é possível reconstruir essa relação com a comida — e, principalmente, com você mesmo.
Um convite à transformação
Se você se identificou com esse texto, considere isso um convite. Não para começar uma nova dieta, mas para começar um novo olhar sobre si.
A psicoterapia não vai te “ensinar a comer certo”, mas pode te ajudar a entender por que você come quando sente, quando sofre, quando está sozinho.
E mais importante: te ajudar a viver melhor.



Comentários