Quando o jogo deixa de ser diversão: como identificar o vício em jogos e buscar ajuda com a TCC
- Raquel Guerra
- 4 de nov.
- 2 min de leitura
Você ou alguém próximo têm apostado dinheiro com frequência em jogos, com perdas de relacionamentos, emprego e/ou estudo?
Esses podem ser sinais de vício em jogo, um comportamento problemático, persistente e incontrolável que tem crescido, especialmente entre adolescentes e adultos jovens. Mas há tratamento — e a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais eficazes.
O que é jogo patológico?
Os comportamentos da pessoa que joga de forma compulsiva é semelhante ao uso de drogas. Pode causar dependência comportamental.
É diferente de quem joga por lazer.
A maioria das pessoas joga sem muitos problemas. Já a pessoa viciada não consegue viver sem jogar. A pessoa sente uma necessidade incontrolável de continuar jogando e, joga cada vez mais. E sofre só de pensar em parar de jogar.
Sintomas comuns:
Esforça-se mas não consegue diminuir ou parar com o hábito de jogar.
Fica irritada ou inquieta ao ser interrompida.
Preocupa-se só com o jogo e nada mais.
Negligência com sono, alimentação, higiene ou estudos.
Apresenta queda no rendimento escolar ou profissional.
O vício pode envolver jogos de aposta presencial ou online, até mesmo no celular. O prazer momentâneo se transforma em necessidade. E o jogo, que antes era uma diversão, passa a controlar a vida da pessoa.
Quando procurar ajuda psicológica?
Se o jogo de aposta se torna o foco da vida da pessoa e mesmo ela perdendo dinheiro, ela volta no outro dia para recuperar o prejuízo e não sai desta gangorra, é hora de acender o alerta.
Muitas vezes, o vício está ligado a questões emocionais mais profundas. E tentar “parar sozinho” pode gerar frustração, recaídas e sentimento de culpa.
Buscar apoio psicológico não é sinal de fraqueza. É o primeiro passo para retomar o controle.
Como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode ajudar?
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma abordagem reconhecida por sua eficácia no tratamento de comportamentos compulsivos, como o vício em jogos.
Na TCC, o paciente aprende a:
Identificar pensamentos automáticos disfuncionais, como “jogar é a única coisa que me faz feliz”;
Compreender gatilhos emocionais que levam ao jogo excessivo;
Desenvolver estratégias saudáveis de enfrentamento e rever as questões relativas à impulsividade;
Estabelecer metas realistas e retomar o autocuidado;
Melhorar sintomas depressivos e ansiosos dos jogadores patológicos;
A psicóloga não julga. Ela ajuda a entender por que o jogo se tornou um refúgio e como transformá-lo novamente em apenas uma parte saudável da vida — e não o centro dela.
O tratamento funciona?
Sim, especialmente quando há envolvimento ativo da pessoa e apoio da família do jogador.
A boa notícia é: há saída. E a terapia é um espaço seguro para reconstruir.
Para refletir (e agir)
Jogar pode ser prazeroso, sim. Mas quando vira uma dependência, machuca a si próprio e a família.
Se você sente que perdeu o controle ou convive com alguém que está nessa situação, saiba que não precisa enfrentar isso sozinho.
A TCC oferece ferramentas práticas e científicas para que a pessoa possa retomar o controle de seus comportamentos de jogo, ajuda a promover mudanças satisfatórias na vida da pessoa e fornece o apoio psicológico necessário durante o tratamento.